sexta-feira, 22 de abril de 2016

Novo Deão

De acordo com a programação das nossas actividades formativas, ontem a comunidade do Seminário elegeu o Deão.
Trata-se de AGUINALDO MIGUEL TEODÓSIO, da Diocese de Quelimane, que foi eleito na única ronda.
Aguinaldo sucede ao Deão interino SAMUEL ALEGRIA DOS SANTOS, que desde o ano passado desempenhou as funções de Vice-Deão.

Dados biográficos do novo Deão:

Nome completo - Aguinaldo Miguel Teodósio
Filho de Miguel Teodósio Gulaite e de Maria de Fátima Valdez
Data e lugar de nascimento - 23 de Agosto de 1990 em Namacata - Nicoadala- Zambézia
Data e lugar de Baptismo - 30 de Outubro de 2001 em Muloa - Paróquia de Santo António da Maganja da Costa
Data e lugar de Crisma - 11 de Setembro de 2011 - Paróquia de Nossa Senhora do Livramento Sé Catedral de Quelimane, por Dom Hilário da Cruz Massinga
Data de entrada no Seminário Propedêutico - 29 de Janeiro de 2011
Data de entrada no Seminário Filosófico - 30 de Janeiro de 2014

Da página do nosso blogger, desejamos um bom trabalho ao novo Deão

quinta-feira, 21 de abril de 2016

ACTIVIDADES PROGRAMADAS PARA O MÊS DE ABRIL

7 Dia da Mulher Moçambicana - Feriado Nacional
14 II Reunião Corpo Docente - 15 horas
16 Retiro da Equipa formadora
21 Encontro geral com o Reitor/ Eleição Deão
23 Palestra da ACAFIL
29_30 Retiro dos Seminaristas

segunda-feira, 28 de março de 2016

Tríduo pascal

Nos últimos anos, o Tríduo Pascal no Seminário tem sido vivido como um momento de retiro da nossa Comunidade. Após a Missa crismal na Sé com o Senhor Arcebispo, iniciamos o nosso retiro com a Missa In Coena Domini. Nesta, o Reitor lava os pés doze seminaristas e no fim, translada-se o Santíssimo para a capela da Adoração.
O presente ano não fugiu à  regra. O Reitor presidiu a Missa In Coena Domini. Na homilia vincou o serviço como um testamento de Jesus para a Igreja, que deve ser feito com espírito de quem sente a Igreja como sua casa. Seguidamente lavou os Pés 12 seminaristas.
A Adoração ao Santíssimo realizou-se  a partir das 20 horas, em casas e prolongou-se até a manhã do dia 25.
Na Sexta feira, tivemos o canto do Ofício às 07 horas. Às 09 tivemos uma reflexão espiritual orientada pelo Pe Joaquim. Às 14 horas tivemos a Via Sacra e às 15 a celebração da Paixão.
Na manhã do Sábado tivemos o Canto do Ofício às 07 horas. Às 10.30 tivemos a celebração penitencial com possibilidade de confissões individuais e às 21 horas teve início a Vigília pascal que terminou à 0.30 Horas.
Foram dias de intensa oração e reflexão com o Senhor.
De seguida publicamos uma galeria fotográfica que descreve alguns momentos do Tríduo pascal.

Dom Francisco Chimoio, no fim da Missa Crismal

Equipa formadora

Equipa formadora no fim da Missa Crismal

Preparação da Capela para a Adoração

Momentos inciais da Missa In Coena Domini

Cerimónia de lava pés

Sexta Feira Santa: Sacerdotes prostrados

Adoração da Cruz


Inicio da Vigília

Bênção do fogo



Bênção da água lustral



Cantico do Hino pascal

Ágape no fim da Vigília




terça-feira, 1 de março de 2016

Actividades previstas para o mês de Março

3 Encontro do Director Esp. Seminaristas (18 h)

07 _18 Exames de recuperação

 19 S. José Operário, II Anivº Pont. Pp Francisco

24_26 Tríduo Pascal - Interrupção das aulas

 27 PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO

 28 Pascoela _ Feriado no Seminário

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

“Não somos e nem queremos ser funcionários do divino”, disse o Papa ao clero mexicano

Papa Francisco, aos sacerdotes
Nesta Terça-feira, penúltimo dia de sua visita ao México, o Papa Francisco celebrou a santa missa no estádio Venustiano Carranza em Morelia, com a participação de cerca de 20.000 sacerdotes, religiosos, religiosas, religiosos e seminaristas. O Papa foi recebido pelo cardeal Alberto Suárez Inda, em meio a uma atmosfera de festa com gritos como “Nós te amamos, Papa, te amamos!” ou “Papa, amigo, eres bem-vindo!”
Em sua homilia, o Santo Padre disse que “a nossa vida fala da oração e oração fala da nossa vida”. “Ai de nós se não somos testemunhas do que vimos e ouvimos, ai de nós. Não somos e nem queremos ser funcionários do divino, não somos e nem queremos ser nunca empregados de Deus, porque somos convidados a participar da sua vida, somos convidados a entrarmos no seu coração, um coração que reza e vive dizendo: “Pai nosso”. Qual é a missão, senão dizer com nossa vida: “Pai nosso?”, acrescentou.
“Qual tentação pode vir-nos de ambientes muitas vezes dominados pela violência, a corrupção, o tráfico de drogas, o desprezo pela dignidade da pessoa, a indiferença perante o sofrimento e a precariedade?”, perguntou aos presentes.
“Confrontados com esta realidade podemos ser vencidos por uma das armas preferidas pelo demônio, a resignação. Uma resignação que nos paralisa e nos impede de não só de caminhar, mas também abrir caminho; uma resignação que não só nos assusta, mas que nos fecha nas nossas “sacristias” e aparentes seguranças; uma resignação que não só nos impede de anunciar, mas que nos impede de louvar. Uma resignação que não só nos impede de projetar, mas que nos impede de arriscar e transformar”, destacou o Pontífice.
“Faz-nos bem apelar nos momentos de tentação à nossa memória. Quanto nos ajuda olhar a “madeira” de que somos feitos. Nem tudo começou conosco, nem tudo terminará conosco, por isso, quanto bem nos faz recuperar a história que nos trouxe até aqui”, recordou.
“Pai, papai, abba, não nos deixes cair na tentação da resignação”, concluiu.
Publicamos a seguir as palavras do Papa Francisco:
***
Há um dito entre nós que recita assim: «Diz-me como rezas e dir-te-ei como vives, diz-me como vives e dir-te-ei como rezas»; porque, mostrando-me como rezas, aprenderei a descobrir o Deus vivo e, mostrando-me como vives, aprenderei a acreditar no Deus a quem rezas, pois a nossa vida fala da oração e a oração fala da nossa vida. Aprende-se a rezar, como se aprende a caminhar, a falar, a escutar. A escola da oração é a escola da vida, e a escola da vida é o lugar onde fazemos escola de oração.
E Paulo, quando ensinava ou exortava o seu discípulo predilecto Timóteo a viver a fé, dizia-lhe: «Lembra-te da tua mãe e da tua avó». E, quando os seminaristas entravam no Seminário, muitas vezes perguntavam-me: «Padre, eu gostava de ter uma oração mais profunda, mais mental». «Olha, continua a rezar como te ensinaram na tua casa e depois, pouco a pouco, a tua oração irá crescendo, como cresceu a tua vida». Aprende-se a rezar, como tudo na vida.
Jesus quis introduzir os seus no mistério da Vida: no mistério da vida d’Ele. Mostrou-lhes – comendo, dormindo, curando, pregando, rezando – o que significa ser Filho de Deus. Convidou-os a partilhar a sua vida, a sua intimidade e, enquanto estavam com Ele, fez-lhes tocar na sua carne a vida do Pai. No seu olhar, no seu caminhar, fê-los experimentar a força, a novidade de dizer: «Pai Nosso». Em Jesus, esta expressão «Pai Nosso» não tem o sabor velho da rotina ou da repetição; pelo contrário, sabe a vida, a experiência, a autenticidade. Ele soube viver rezando e rezar vivendo, ao dizer: Pai Nosso.
E convidou-nos a fazer o mesmo. A nossa primeira chamada é para fazer experiência deste amor misericordioso do Pai na nossa vida, na nossa história. A primeira chamada que Jesus nos fez foi para nos introduzir nesta nova dinâmica do amor, da filiação. A nossa primeira chamada é para aprender a dizer «Pai Nosso», como insiste Paulo: Abbá.
A propósito da sua chamada, diz São Paulo: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» Ai de mim, porque evangelizar «não é para mim – explica – motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta» (1 Cor 9, 16). Pois bem! Jesus chamou-nos para participar na sua vida, na vida divina: Ai de nós – consagrados, consagradas, seminaristas, sacerdotes, bispos – ai de nós se não a compartilharmos! Ai de nós, se não formos testemunhas do que vimos e ouvimos! Ai de nós! Não queremos ser funcionários do divino; não somos, nem o queremos ser jamais, empregados da empresa de Deus, porque fomos convidados a participar na sua vida, fomos convidados a encerrar-nos no seu coração, um coração que reza e vive dizendo: Pai Nosso. Em que consiste a missão senão em dizer com a nossa vida – desde o princípio até ao fim, como o nosso irmão bispo que faleceu esta noite –, em que consiste a missão senão em dizer com a nossa vida: Pai Nosso?
É a este Pai Nosso que nos dirigimos todos os dias. E que Lhe dizemos numa das súplicas? Não nos deixeis cair em tentação. Fê-lo o próprio Jesus. Rezou para que nós, seus discípulos – de ontem e de hoje –, não caíssemos em tentação. E uma das tentações que nos assalta, uma das tentações que surge não só de contemplar a realidade, mas também de viver nela… sabeis qual pode ser? Qual é a tentação que nos pode vir de ambientes dominados muitas vezes pela violência, a corrupção, o tráfico de drogas, o desprezo pela dignidade da pessoa, a indiferença perante o sofrimento e a precariedade? À vista de tudo isto, à vista desta realidade que parece ter-se tornado um sistema irremovível, qual é a tentação que repetidamente podemos ter nós, os chamados à vida consagrada, ao presbiterado, ao episcopado?
Acho que a poderemos resumir numa só palavra: resignação. À vista desta realidade, pode vencer-nos uma das armas preferidas do demónio: a resignação. «E que podes tu fazer? A vida é assim». Uma resignação que nos paralisa e impede não só de caminhar, mas também de abrir caminho; uma resignação que não só nos atemoriza, mas também nos entrincheira nas nossas «sacristias» e seguranças aparentes; uma resignação que não só nos impede de anunciar, mas impede-nos também de louvar, tira-nos a alegria, o prazer do louvor. Uma resignação que nos impede não só de projectar, mas também nos trava na hora de arriscar e transformar.
Por isso, Pai Nosso, não nos deixeis cair em tentação.
Nos momentos de tentação, faz-nos muito bem apelar para a nossa memória. Ajuda-nos muito considerar a «madeira» de que fomos feitos. Não começou tudo connosco, e tão-pouco acabará tudo connosco; por isso, por isso faz-nos bem recuperar a recordação da história que nos trouxe até aqui.
E, revisitando a memória, não podemos esquecer-nos de alguém que amou tanto este lugar, que se fez filho desta terra. Alguém que pôde dizer de si mesmo: «Tiraram-me da magistratura para me porem na plenitude do sacerdócio por mérito dos meus pecados. A mim, inútil e completamente inábil para a execução de tão grande empreendimento; a mim, que não sabia remar, elegeram-me primeiro bispo de Michoacán» (Vasco Vásquez de Quiroga, Carta pastoral, 1554).
Permiti-me aqui um parêntesis! Agradeço ao Senhor Cardeal Arcebispo por ter querido que se celebrasse esta Eucaristia com o báculo deste homem e o seu cálice. Convosco quero lembrar este evangelizador, conhecido também como Tato Vasco, como «o espanhol que se fez índio».
A realidade vivida pelos índios Purhépechas – que ele descreve como «vendidos, vexados e errando pelos mercados a recolher os restos que se deitavam fora» –, longe de o fazer cair na tentação da acédia e da resignação, moveu a sua fé, moveu a sua vida, moveu a sua compaixão e estimulou-o a realizar várias iniciativas que permitissem «respirar» no meio desta realidade tão paralisante e injusta. A amargura do sofrimento dos seus irmãos fez-se oração e a oração fez-se resposta concreta. E isto valeu-lhe, entre os índios, o nome de «Tata Vasco» que, na língua purhépechas, significa «papá».
Pai, Papá, Tata, Abbá…. Esta é a oração, esta é a palavra que Jesus nos convidou a dizer.
Pai, Papá, Abbá, não nos deixeis cair na tentação da resignação, não nos deixeis cair na tentação da acédia, não nos deixeis cair na tentação da perda da memória, não nos deixeis cair na tentação de nos esquecermos dos nossos maiores que nos ensinaram, com a sua vida, a dizer: Pai Nosso.
 Fonte: Zenit.org

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta feira de Cinzas

Às 18.30 horas do dia 10 de Fevereiro, data em que na Igreja Católica no presente ano de 2016, damos início ao Santo tempo da Quaresma, teve lugar na Capela do nosso Seminário a Santa Missa, presidida por S. Ex.cia Rev.ma Dom Alberto Vera Aréjula, Bispo Auxiliar de Xai Xai e Vice Presidente da Comissão episcopal dos Seminários e Vocaçóes.
Durante a celebração e como recomenda o rito, foram benzidas as cinzas e impostas sobre todos. Trata-se de um gesto que nos convida à conversão e ao arrependimento.
Desde a nossa página, queremos desejar a todos um Santo caminho da Quaresma.

Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2016

Tema: «“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
[Franciscus]